segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Apesar de tudo

Tu és outra coisa.
Eu fui à frente durante anos sem te ver,
Quase sem te conhecer,
E tu eras meu, exactamente como agora.
Eu, que estou acostumada a esperar o pior,
Não tenho medo de te perder.
Podes esquecer-me.
Abandonar-me,
Deixar-me,
Serás sempre meu e só meu.
Eu inventei-te, meu amor.
És mais do que o meu amante.
És a minha criatura.
É por isso que me pertences.
Quase teu, apesar de tudo.
Irène Némirovsky