segunda-feira, 6 de julho de 2015

Amor é privilégio de maduros

Amor é privilégio de maduros 
estendidos na mais estreita cama, 
que se torna a mais larga e mais relvosa, 
roçando, em cada poro, o céu do corpo. 
É isto, amor: o ganho não previsto, 
o prêmio subterrâneo e coruscante, 
leitura de relâmpago cifrado, que, 
decifrado, nada mais existe valendo 
a pena e o preço do terrestre, 
salvo o minuto de ouro no relógio 
minúsculo, vibrando no crepúsculo. 
Amor é o que se aprende no limite, 
depois de se arquivar toda a ciência herdada, 
ouvida. Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade